terça-feira, 17 de abril de 2012

A LA PINTURA






Rosa Ribeiro Cunha
no Atelier do Pombal



A ti, lino en el campo. A ti, extendida
superficie, a los ojos, en espera.
A ti, imaginación, helor u hoguera,
diseño fiel o llama desceñida.

A ti, línea impensada o concebida.
A ti, pincel heroico, roca o cera,
obediente al estilo o la manera,
dócil a la medida o desmedida.

A ti, forma: color, sonoro empeño
porque la vida ya volumen hable,
sombra entre luz, luz entre sol, oscura.

A ti, fingida realidade del sueño.
A ti, materia plástica palpable.
A ti, mano, pintor de la Pintura.

Rafael Alberti

sábado, 14 de abril de 2012

DE MI CARTERA









António Machado
Sevilla 1875 - Collioure (França) 1939


Ni mármol duro y eterno
ni música ni pintura,
sino palabra en el tiempo.

Canto y cuento es la poesía.
Se canta una viva historia,
contando su melodía.

Crea el alma sus riberas;
montes de ceniza y plomo,
sotillos de primavera.

Toda la imagineria
que no ha brotado del río,
barata bisutería.

Prefiere la rima pobre,
la asonancia indefinida.
Cuando nada cuenta el canto,
acaso huelga la rima.

Verso libre, verso libre...
Líbrate, mejor, del verso
cuando te esclavice.

La rima verbal y pobre,
y temporal, es la rica.
El adjetivo y el nombre,
remansos del agua limpia,
son accidentes del verbo
en la gramática lírica,
del Hoy que será Mañana,
del Ayer que es Todavía.


Antonio Machado

ÀS VEZES











Ao poeta Frassino Machado

Às vezes entre os versos nascem flores:
violetas, lírios, cravos, açucenas,...
Esqueço pressuroso as duras penas
que a vida é festa cheia de fulgores.

Doce espumante of'reço aos meus amores
em brindes de memórias muito breves
enquanto o vinho em altas taças leves
intenso e puro ferve as suas cores.

Que ricas são as rimas nesses dias!
Num cofre guardo as raras fantasias
cativas pela arte imaginada.

Colhendo as flores ficam sombras frias
a refletir as pétalas tardias
que teimam a boiar à tona da água.


Abel da Cunha

segunda-feira, 9 de abril de 2012

L'ART









Théophile Gautier
1811-1872


Oui, l'oeuvre sort plus belle
D'une forme au travail
Rebelle,
Vers, marbre, onyx, émail.

Point de contraintes fausses !
Mais que pour marcher droit
Tu chausses,
Muse, un cothurne étroit.

Fi du rhythm commode,
Comme un soulier trop grand,
Du mode
Que tout pied quitte et prend !

Statuaire, repousse
L'argile que pétrit
Le pouce
Quand flotte ailleurs l'esprit :

Lutte avec le carrare,
Avec le paros dur
Et rare,
Gardiens du contour pur ;

Emprunt à Syracuse
Son bronze où fermement
S'accuse
Le trait fier et charmant ;

D'une main délicate
Poursuis dans un filon
D'agate
Le profil d'Apollon.

Peintre, fuis l'aquarelle,
Et fixe la couleur
Trop frêle
Au four de l'émailleur.

Fais les sirènes bleues,
Tordant de cent façons
Leurs queues,
Les monstres des blasons ;

Dans son nimbe trilobe
La Vierge et son Jésus,
Le globe
Avec la croix dessus.

Tout passe. - L'Art robuste
Seul a l'éternité.
Le buste
Survit à la cité.

Et la médaille austère
Que trouve un laboureur
Sous terre
Révèle un empereur.

Les dieux eux-mêmes meurent,
Mais les vers souverains
Demeurent
Plus forts que les airains.

Sculpte, lime, cisèle ;
Que ton rêve flottant
Se scelle
Dans le bloc résistant !

Théophile Gautier
in Emaux et Camées (1852)



Charles Baudelaire
(1821-1867)
Dedicatória de Les Fleurs du Mal (1857)

Au poète impeccable
Au parfait magicien ès lettres françaises
À mon très cher et très vénéré
Maître et ami
THÉOPHILE GAUTIER
Avec les sentiments
De la plus profond humilité
Je dédie
CES FLEURS MALADIVES
C.B.

domingo, 8 de abril de 2012

A BOCAGE









Olavo Bilac
Rio de Janeiro, 1865-1918



Tu, que no pego impuro das orgias
Mergulhavas ansioso e descontente,
E, quando à tona vinhas de repente,
Cheias as mãos de pérolas trazias;

Tu, que do amor e pelo amor vivias,
E que, como de límpida nascente,
Dos lábios e dos olhos a torrente
Dos versos e das lágrimas vertias;

Mestre querido! viverás, enquanto
Houver quem pulse o mágico instrumento,
E preze a língua que prezavas tanto:

E enquanto houver num canto do universo
Quem ame e sofra, e amor e sofrimento
Saiba, chorando, traduzir no verso.


Olavo Bilac

quarta-feira, 4 de abril de 2012

FILHO PRÓDIGO









Diogo Bernardes
Ponte da Barca (1520-1605)



Se toda nossa vida é desafio,
Se sobre nada tem seu fundamento,
Que descuido este meu? que errado intento?
Que pretendo? que espero? em que me fio?

Oh vida humana, folha em seco estio
Levada pelo ar de qualquer vento,
Oh flor de primavera num momento
Chamuscada do sol, murcha do frio!

Quando cuido no tempo atrás passado,
O que passei me espanto, o por vir temo,
No presente não sei que me embaraça.

Mas ainda que de ti tão alongado,
Ordena tu que torne, ó Pai supremo,
Este pródigo filho a tua graça.


Diogo Bernardes
in Várias Rimas ao Bom Jesus

sexta-feira, 9 de março de 2012

POR AMOR DE SOFIA







René Magritte - "Rêve"



Por amor de sofia andei sete anos
em busca de um saber que me fugia;
a torre de babel então crescia
no linguajar soberbo dos humanos.

Servia os sábios gregos e romanos,
os padres da igreja também lia;
mas sobre nuvens outras nuvens via
ganhando por verdade só enganos.

De nada me valeram tantas Obras.
Rasgando os ares vieram as gaivotas
a descansar o voo nas ameias.

No chão nasceram cardos e urtigas
e sob um céu de alturas desmedidas
no mesmo labirinto novas teias...


Abel da Cunha